Escolha dos ventos

Laura Makabresku

Sentimentos mútuos se sabem, – os ventos sopram : a vida acolhe [e no fim de um começo infindo] : escolhem-se. Assim somos eu e tu num emaranhado de nós e almas, – escolhas antes de escolhermos ser nó e sombra de corpos que pesam como pêndulos –, num vão vaivém na calçada dos sentimentos.
.
Nos escolhemos sem escolhas : colhemos o bruto abruta escolha, abruta querença, abruto cuidado, abruto amor expresso na verdade dos olhos da alma.
.
Somos a memória de um sonho insonhado. Memorial de palavras não ditas : ouvidas no zunir dos silêncios. Um cruzamento entre a vida e o destino, uma definição do indefinido.
.
Somos confins do inconcluso, concluindo que mesmo não sabendo no fundo o que nós somos, somos um amontoado de coisas boas que sentimos diante do outro, e só a nós pertencem e nos vestem inteiros. Nos perfumando de dentro para fora, – deixando um cheirinho macio de nós na alma.

A %d blogueros les gusta esto: